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IMC: Um bom indicador de saúde?

IMC

O IMC (Indíce de Massa Corporal) é uma tabela a partir da qual profissionais de saúde (e as calculadoras do google) decidem ou não se somos ‘saudáveis’. Se estiveres no patamar de ‘sobrepeso’ ou ‘obesidade’ a solução é sempre a mesma: perder peso. Mas até que ponto é que o IMC é um bom indicador de saúde? Vamos tentar compreender neste post.

A História do IMC

Em 1823, Adolph Quetelet (astrónomo e estatístico) desenvolveu o Índice Quetelet , para conseguir categorizar quem era o ‘homem normal’. Este indice não foi criado como um medidor de saúde ou de percentagem de massa gorda: Quetelet era um estatístico a observar modelos populacionais e não um médico a estudar e determinar condições individuais da saúde humana.

A salientar que os sujeitos que ele usou para criar este índice foram homens brancos Europeus. Isto significa que não considerou a diversidade entre diferentes povos e etnias. Mesmo assim, o Índice Quetelet tornou-se no nosso IMC.

Pelos anos de 1900s, a cultura das dietas (que vai igualar ‘magreza’ com saúde, felicidade, sedução e valor e quem tem uma figura magra é quase visto como ser superior e, por outro lado, ser gordo é visto como pouco saudável, preguiçoso e um falhanço) já estava bem instalada, e as pessoas já procuravam ajuda médica para perder de peso.

Contudo, estudos mais atuais, que incluíram amostras muito maiores e diversas da população, mostraram que as pessoas que estavam na categoria de ‘sobrepeso’ tinham uma mortalidade mais baixa que qualquer outro grupo. Mesmo assim, as seguradoras de saúde continuaram a usar estudos mais antigos e redutores. Estas companhias tinham interesse em que mais Americanos se enquadrassem na categoria de ‘sobrepeso’ para conseguirem vender mais.

Em 1972, Ancel Keys, que discordava com a categorização dada pelas companhias de seguros de saúde procurava uma alternativa para medir a massa corporal e propôs que o índice do Quetelet passasse a ser chamado de IMC e que fosse usado para estudar a ponte entre saúde, doença e ‘obesidade’. E este é o IMC que ainda está em uso hoje em dia.

Vê este post para compreenderes como podes melhorar a relação com o teu corpo.

Quais os problemas com o IMC

  • Quem o desenvolveu não considerou a diversidade natural das populações e não estava interessado em estudar o quão saudável os sujeitos da amostra eram,
  • É baseada na altura e peso de maioritariamente homens, brancos, Europeus de classe média alta, ou seja, não é representativo da real diversidade das populações e etnias.
  • O IMC não considera a idade, género, composição corporal, distribuição de gordura, entre (muitos) outros fatores.
  • As diferenças entre as classificações de IMC – ou seja, entre peso “normal” e “sobrepeso” ou “obeso” – são muito arbitrárias. Não são baseados em dados científicos, mas sim definidos por o que um conjunto de pessoas acredita que deveria ser o peso ‘normal’ Por exemplo: algumas décadas atrás, o peso ‘normal’ foi reduzido como resposta a um relatório financiado por empresas farmacêuticas que produzem medicamentos para emagrecer (conflito de interesses or what?)
  • O IMC assume que sabemos os comportamentos e o estado de saúde de uma pessoa, baseado unicamente no tamanho do seu corpo. Contudo, há muitas mais variáveis que deveriam entrar em equação como idade, etnia, fatores sociais, etc. Para não considerar que, dar o rótulo de ‘sobrepeso’ e ‘obeso’ pode levar a descriminação e sentimentos de vergonha, o que não motiva ninguém a mudar os seus comportamentos.

Mas como foram as categorias de peso decididas?

De forma meio arbitraria, really. Em 1998, O National Institute of Health decidiu baixar o IMC de ‘sobrepeso’ para 25, enquanto que antes seria 28 para homens e 27 para mulheres. Tal como disse acima, foram companhias de suplementos de perda de peso que financiaram o estudo que levou à tomada desta decisão. Estas companhias tinham interesse que mais Americanos se enquadrassem na categoria de ‘sobrepeso’ para conseguirem vender mais.

Sobre o estigma do peso

Quanto mais pesquiso mais me apercebo – o peso, como fator isolado, não é um bom indicador de saúde. Na realidade, não há dados que provem que ter muita gordura cause doenças como cancro, diabetes ou doenças cardiovasculares. Estas doenças são mais comuns em pessoas com um peso mais elevado (podendo haver uma co-relação entre peso e saúde) mas o peso não é a causa direta destas doenças. Então porque é que o peso é a primeira coisa a ser SEMPRE mencionada?

Por definição, estigma do peso (weight stigma) é descriminação ou a criação de um estereótipo baseado no peso e na forma do corpo de uma pessoa. Isto inclui o preconceito de que pessoas em corpos maiores são preguiçosas, desleixadas, não têm educação e não são atraentes – como se ter gordura fosse reflexo de desleixo ou de falta de cuidado. Este estigma está em todo o lado: escola, trabalho, família, amigos, nas lojas, restaurantes etc etc. Está tão enraizado na nossa cultura que nem nos apercebemos da discriminação. Aliás, é um exercício reparar e questionar certos cenários (como piadas sobre gordos ser algo aceitável).

Embora não hajam estudos que criam uma relação direta entre peso e problemas de saúde, já está provado como o estigma do peso é. Quando alguém é gozado por causa pelo tamanho que tem (independentemente do tamanho), essa experiência causa stress. Stress crónico devido ao estigma do peso é problemático para a saúde. Está ligado a ansiedade, depressão, inflamação crónica, disordered eating (problemas com a relação com a alimentação), baixa autoestima, entre outros. E quão mais ‘gozada’ a pessoa for, mais se aprofundam estes problemas.

Devido a este estigma estar em todo o lado, incluindo na medicina, estas pessoas deixam de ser cuidadas devidamente, pois assume-se que qualquer problema que tenham esteja diretamente ligado ao peso, em vez de verem todas as faces da ‘moeda’. Ou seja, pessoas que sofrem de estigma de peso não têm o mesmo tratamento que pessoas com o peso ‘normal’. Estás a ver como isto é uma enorme bola de neve? Aliás, há estudos que provam que pacientes considerados com ‘excesso de peso’ ou ‘obesos’, demoram menos tempo nas consultas médicas.

Aliás, só categorizar corpos como ‘sobrepeso’ vai assumir que há uma forma ‘correta’ para se ter um corpo. De certa forma, ao categorizarmos as pessoas de ‘obesas’ ou ‘abaixo de peso’, estamos basicamente a dizer que não são ‘normais’ (por um índice que já em si tem IMENSOS problemas).

Como mudar o discurso?

Parece-me que temos de nos afastar do IMC como o medidor da nossa saúde (e valor). Podemos ver outros indicadores como compreender como é que tu te sentes física, mental e emocionalmente. Por exemplo, algumas maneiras pelas quais sei se uma cliente minha está a progredir:

  • Estar mais conectada com o seu corpo
  • Conseguir encontrar a tranquilidade no meio do caos atual
  • Menos foco na comida
  • Encontrar maneiras de lidar com o stress
  • Conseguir expor as suas emoções
  • Descobrir hobbies novos
  • Maior confiança nas habilidades do corpo
  • Mais força
  • Mais flexibilidade
  • Mais energia

Acho que é importante começarmos a olhar para comportamentos em vez de assumirmos seja o que for baseado na forma do corpo de alguém. Em última análise, a escolha de melhorares a tua saúde é sempre tua e – de qualquer forma – ninguém deveria ser tratado de maneira diferente por causa do peso.

Vê este post para começares a fomentar amor próprio hoje mesmo.

Aconselho leres o livro Anti Diet de Christy Harrisson, onde ela entra em detalhe sobre a informação deste post.

Se foi útil, não te esqueças de partilhar a informação e sente-te livre para deixar o teu comentário. Se queres ajuda para curares a tua relação com a comida e com o corpo, vem aqui.

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